Breve História da Siderurgia Nacional

 
Estávamos em 1944 e o governo do Dr. Oliveira Salazar aprovava a lei sobre Fomento e Reorganização Industrial. A siderurgia era prioritária. Nos anos seguintes, o presidente do conselho avançou com os estudos para a criação de uma «verdadeira indústria de metalurgia de ferro», e António Champalimaud concorreu - e ganhou - a concessão. Em 31 de Dezembro de 1954 foi constituída a Siderurgia Nacional, e em 1955 o Dr. Oliveira Salazar publicou um alvará em que dá à empresa o exclusivo do fabrico de gusa, aço e laminados, pelo prazo de dez anos.

A sua criação integrou-se numa linha política de realização de grandes empreendimentos económicos, e correspondeu a uma notável mobilização nacional de recursos financeiros, bem como a um projecto de aquisição de competência e autonomia tecnológica, que seria coroado de êxito (em três anos, todo o controlo da produção passou a ser garantido por técnicos e operários nacionais)

 
 

A primeira fase da “Siderurgia Nacional” no Seixal foi inaugurada pelo Presidente da República Almirante Américo Tomás em 24 de Agosto de 1961 depois das obras terem sido iniciadas em 1958. Na inauguração o Ministro da Economia Ferreira Dias no seu discurso de inauguração proferiu a célebre frase «País sem siderurgia, não é um país, é uma horta». No mesmo discurso diria ainda:

«os últimos 10 anos trouxeram-me alegrias profissionais que os primeiros 50 anos de vida me negaram, porque os passei, quanto a esse sector, numa apagada e vil tristeza (...). Mas depois que entrou a ordem na vida portuguesa e depois que os espíritos se afizeram à ideia de pensar nos factos económicos ligados à produção, tenho tido uma série numerosa de dias felizes, embora insuficientes para minha satisfação; mas nestes há 3 que sobrelevam os outros, porque neles se fizeram inaugurações de obras-tipo pelas quais lutei até ao último reduto da minha fé e que excitaram a minha imaginação desde o tempo longínquo de estudante: a central do Castelo do Bode, 1.ª obra da rede eléctrica primária, em 1951; a electrificação dos caminhos-de-ferro, em 1957; a siderurgia, em 1961.» in: Ordem dos Engenheiros.

 
António de Sommer Champalimaud, presidente do Concelho de Administração da “Siderurgia Nacional”, seria nesta cerimónia agraciado com a grã-cruz da ordem do Mérito Agrícola e Industrial
     
Aproveitando uma área natural junto do estuário do Tejo, importante via de circulação, onde se localizavam antigos moinhos de maré, a implantação da Siderurgia Nacional, em 1961, converteu e transformou este local num sítio de excelência industrial, que à época simbolizava a modernidade e progresso nacional, correspondendo a um modelo de auto-suficiência de produção de um bem que era sinónimo de riqueza – o aço – alimentando um conjunto de indústrias ou empresas contemporâneas como: caminhos-de-ferro; construção civil; obras públicas, etc.Tanto para escoar produto acabado como para abastecimento desta unidade fabril foi construído um cais com 250 metros de comprimento apto a receber navios entre 15 e 20 mil toneladas, além de contar também com caminho de ferro.  
 
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